quarta-feira, 5 de outubro de 2011

blogueira em manutenção












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o silêncio que antecede a tempestade.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

minha banda toca diferente

Helen Tweelvetrees, atriz | photo by Sam Hood

























na minha penteadeira cabe
coracão, espelho e vontade

um batom cor de espera zen

e uma certeza passageira:
por amor não se sente saudade
nem se perde a estribeira


sábado, 14 de agosto de 2010

Quero a paz das cidades pequenas


Quero a paz das cidades pequenas

noites de sono
de noite

café da manhã
de manhã

e aquele silêncio pleno
de que tudo vai dar certo


sexta-feira, 7 de maio de 2010

Herbstmond
























Sinto no coração um vago tremor de estrelas
Uma lua ri pra mim e rindo de mim me espelha
Um rasgo de quarto crescente e me toma a alma toda
Cada quarto cada sala cada cômodo luz incômoda

Sinto que o mês presente me assassina
Me cobra irrealizações num rosário
De uma vida embotada na folhinha
Eu que morro todo dia calendários

Sinto se me espera um sol de outono
Foda-se os meus olhos de menina
Hoje eu sou apenas um mês ausente
E esse coração que me assassina


a Mario Faustino, Federico Garcia Lorca e Marcelo Dolabela.




quarta-feira, 10 de março de 2010

Sunday morning






















fotopoese de André Charak


poesia silenciosa
a foto suspende o tempo
o menino observa o lento
correr da caneta
eternográfica
no papel que come letra
e cospe palavras

cruzadas as vidas
de cada menino
um no dia claro
outro na câmera escura

a registrarem
o destino

inevitável
das gentes
das semanas
de todo afã

que tudo na vida termina
e começa
novamente
num domingo de manhã


(ao aniversariante do dia, Francisco Antônio, meu pai)


terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Prendimi l'anima




cena do filme Jornada da Alma (The Soul Keeper, 2002)

A tua é somente tua.

A minha é apenas minha, a jornada.

Mas somos anjos de uma asa só,

e só podemos voar de mãos dadas.


Não é por alimento que espera

a alma: é por aquele que traz

o pão e o leite à casa.


Te abri num sonho minhas mãos em água

e a pedra em forma de c.oração flutuava


"Ta'qui: minha alma ruiva"

e disse como quem desafia


Eu me entrego a ti nessa pedra:
você saberá guardá-la.
Um dia.



terça-feira, 28 de julho de 2009

Tardes cariocas


















fim de tarde em Ipanema, photo by Fabiana Motroni

Pois quis a vida
que minha vida
desse uma pausa

umas férias
por justa causa

nesse momento
meu escrever
minha verdade
se submete
à esta cidade

à contemplação
da beleza
da tristeza
da realidade

e me recolho
à função outra
de um poeta
a de catar lirismos
que o mar espalha na areia
e que a brisa traz
pela janela aberta

de aguardar
o que um pôr de sol
em ipanema
pode me fecundar
em poema

o brilho da água
o fogo da areia
a ventania

a alma que
ferve
na noite
e flana
no dia

dessa musa
maldita
naiade
cosmopolita
linha e curva
absurda
mente
bonita
silenciosa
sinfonia

cidade
que já nasceu
poesia


terça-feira, 23 de junho de 2009

A poltrona ao lado


















photo by Fabiana Motroni, show do Lô Borges, novembro de 2008

Em nossa vida, em muitos momentos dela, o outro é um ser inventado. Quando ele não é o que pensamos, quando não faz o que esperamos, ele simplesmente não é. Não está lá.

Invisível como a repetição de nossas expectativas, o outro é apenas uma falta. Uma falta de nós mesmos. Mas então aceitamos a solidão como dimensão real do que somos, e nos enxergamos, e a solidão se esvai, por não haver mais razão de existir. E a falta não faz mais falta.

E então a falta é a fala, é a palavra, é o fato, é a flor, e estamos livres para enxergar que existe alguém na poltrona ao lado. O outro. Um outro que nos enxerga. Um outro que nos olha na nossa poltrona e que não quer ver o veludo vermelho, por mais veludo e por mais vermelho que seja, porque está muito mais interessado em ver a gente.

O outro que entende a amplitude de companhia. Que entende a diversidade do amor. E que sabe que a poltrona estará sempre vazia enquanto não quisermos que alguém sente ali, de verdade. Alguém de verdade. Um outro da gente.

Não é o amor a falha. A falha somos nós e o que inventamos sobre o amor. E ele nos olha docemente, e sorri tristemente de nossas dores, sem muito poder fazer, o amor. A não ser esperar que não esperemos nada mais dele. A não ser esperar que esperemos por ele. A não ser esperar que o reconheçamos quando ele chegue, e que o aceitemos como ele é.


sexta-feira, 5 de junho de 2009

O prazer de interagir

















photo by @bdramali

Você realmente acha que hoje sua comunicação depende totalmente da internet? 

Não, sua comunicação depende totalmente da sua vontade de interagir. 

Twitter no papel, que passou de mão em mão pela platéia do #smbr, evento Social Media Brasil, agora à tarde em SP, em função do mal funcionamento do wi-fi no local. 

(O que isso tem a ver com poesia? Poesia é inspiração, criação, expressão.

Participar de mini-momentos colaborativos também : )  


segunda-feira, 25 de maio de 2009

Auto-cura














Disease.
Dis-ease.
Diz easy,
e vai...

........

Disease.
Dis-ease.
Say easy,
and go...

(my free translation)


segunda-feira, 4 de maio de 2009

Poesia hasta infectar
















photo by my webcam


La vida
es más fuerte
que los dolores

Mientras las hojas
acojan sus flores



Porcos que voam. Gripe suína. Surto e preconceito. Ao invés de fazer eco ao medo, podemos espalhar carinho. Alimentar o pânico é que é uma porcaria. E o antídoto, a poesia.

Estenda também a sua mão com uma mensagem, aqui: Pandemia de la Ternura


terça-feira, 14 de abril de 2009

Let it go












photo by glow images


Tempos difíceis.
Eu enfrento
a minha última fronteira.

O algodão,
a acetona,
e as dez unhas vermelhas.

......................

Hard times.
I face my ultimate edge.

The cotton,
the acetone
and my ten nails in red.

(my free translation)

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Deja vu












(detalhe) photo by Claudio Ramos


Minha saudade é assim
te sinto todo de novo
em cada pedaço de mim


domingo, 15 de março de 2009

Feliz poesia, todo dia


















Todo dia é dia de poesia.  Mas é bom ter um dia  marcado no calendário, para garantir que nos lembremos, ao
menos um dia, de algo que deveria ser parte do nosso dia-a-dia.

O dia 14 de março foi escolhido para ser o Dia Nacional da Poesia, em homenagem ao aniversário do poeta Castro Alves.  E no próximo fim de semana, dia 21 de março, é o Dia Internacional da Poesia, instituído pelo Unesco no ano 2000.

Mas descobri que essas datas não são comemoradas oficialmente na cidade de São Paulo (não me perguntem o porquê, ainda estou tentando descobrir...) 

Então resolvi convocar alguns amigos poetas, procurar um chão e um teto acolhedor, e realizar um sarau de última hora - porém a tempo de comemorar a data em prosa e verso.

Será hoje, domingo 15 de março, as 18h. Vejam no post abaixo.

Quem puder comparecer, será ótimo.  Quem não puder, só quero uma compensação:  aproveitem o próximo fim de semana e façam algo bem poético.  

Isso.  Pode ser isso.  E pode ser isso também.  Façam seja lá o que vocês acreditem que seja poesia.  Assistam o pôr do sol.  Rolem no chão com as crianças.  Ou com os cachorros.  Ouçam rock and roll no volume máximo. Andando de carro. 

E quando terminarem, se acostumem com a poesia por perto. E depois não deixem que ela - nunca mais - vá embora das suas vidas.  Combinado?  Vou cobrar... : )

Feliz poesia, todo dia.

Um beijo,
Fabi



domingo, 8 de março de 2009

23 pares de cromossomos, mas um deles tinha que ser diferente...







photo by John Lund

Não, isso não é o preâmbulo para outro rosário a ser desfiado diante das humanas hoje, nesse dia decretado para nos lembrar que seria preciso um dia para sermos lembradas...

Nada disso poderia ser mais equivocado. Afinal, um dos pares de cromossomos teve que se diferenciar diante da vontade de grandeza do homo sapiens que, muito complexo, não podia mais ficar brincando de meiose e mitose para garantir a sobrevivência da espécie. Além disso, nós existimos de fato e na lembrança, todos os dias: impossível não notar a presença da mulher ou do feminino no mundo.

Desculpem meninas, e meninos, mas todo dia eu procuro fazer poesia: hoje eu só quero fazer justiça.  Muita coisa aconteceu na história da humanidade que me faz entender porque a mulher – mesmo sendo em maior número que o homem (outra necessidade biológica) - virou politicamente uma minoria com direito a ganhar uma bolota no calendário. Bolota que, aliás, me lembra tiro ao alvo.  E aí me lembro porque – poesias e rosas a parte – eu não me sinto muito a vontade com o Dia Internacional da Mulher. 

Nessa data,  no dia 8 de março de 1857, em Nova York, trabalhadores de uma fábrica, mais exatamente 129 mulheres trabalhadoras, fizeram uma greve para exigir a redução da carga horária de seu trabalho, que era então de 12 horas por dia.  Era o tempo de um capitalismo recém-nascido, infantil - e de empregadores idem, que não satisfeitos em tirar da aristocracia seu poder, levaram junto sua vilania abençoada por Deus.  E nesse tempo, o ato de empregados exigindo direitos era algo inaceitável, que devia ser severamente punido com, por exemplo, a polícia perseguindo as 129 mulheres, que recuaram para dentro da fábrica, e seus empregadores botando fogo na fábrica com todas elas dentro.

Hoje, no mundo inteiro, é oficialmente comemorado (?) o Dia da Mulher, nos lembrando dessa data triste e de outra tristeza: nos relembra a morte criminosa de mulheres lutando por direitos justos para qualquer sexo, e, principalmente, no avisa da intolerância insistente do ser humano, de todos os sexos.  Na intenção de honrar a memória destas heroínas, pessoas corajosas que lutavam contra a injustiça, essa data acaba por ressaltar nossa capacidade de criar datas comemorativas para compensar a pequenice histórica de nossas almas, que, pior, é tão discutida e aceita seriamente como "natural".  Natural é que todos possam ser igualmente felizes, e igualmente respeitados pela sua condição básica.  De seres humanos?  Não, de seres vivos.  É a vida que nos faz dignos de respeito e amor.

Nesse mundo que persigo, não faz sentido que se comemore o dia de um tipo de alguém, pois seria tão nonsense como comemorar o dia de todos.  Nesse mundo que eu quero viver, se as pessoas abrem a porta para mim, ou seguram minha mão para eu sair do carro, é porque é bom ser gentil com o outro, e não simplesmente porque eu tenho um par de cromossomos diferentes.  O mundo no qual eu acredito é um mundo onde homens também recebem flores, pois eles também merecem ser amados, e seus feitos lembrados, e seus sacrifícios engrandecidos.  O mundo que quero ajudar a construir é uma sociedade onde mulheres também sabem ser perfeitas cavalheiras. Um mundo onde não existam pedestais é um lugar onde as pessoas podem andar sobre o mesmo chão, compartilhar a mesma vida e valores, e melhor: onde não vão cair de lugar nenhum. 

Afinal, nesse mundo nossas almas seriam tão maiores que calendários e intolerâncias, do que podes e não podes, que não haveria lugar para tanta gente num único pedestal: o planeta inteiro já estaria literalmente mais elevado. E no dia que o mundo for assim nós seremos tão mais livres - mulheres, homens e seres do sexo que bem quiserem – que esqueceremos de criar uma data comemorativa para fato tão feliz.  

Quando esse dia chegar, nossa folhinha estará muito ocupada com as lembranças dos dias que já vivemos, e nós, completamente entretidos com cada sonho que queremos realizar em cada um dos dias que ainda nos resta em nossos calendários...

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

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Te enxergo no que escreve
de José Ricardo Oliveira



mãos percorrendo espaços 
palavras preenchendo vazios 
sentimentos procurando espelho 
caneta e papel guiados pela sua insônia 
noite de amor sobre a escrivaninha 
desejos dentro de fronhas 
sonhos do lado de fora da janela 
gotas de chuva querendo entrar 
alma é vidro 
corpo é pedra 
coração é tijolo 
poesia é argamassa 

te enxergo no que escreve


domingo, 26 de outubro de 2008

Quero ouvir suas mãos me dizendo eu te amo





















photo by Herborg Pedersen

Quero ouvir suas mãos me dizendo eu te amo
não se espante comigo
eu sou assim

Quero ouvir suas mãos me dizendo eu te amo
quando eu sorrio e você olha pra mim

Quero ouví-las quando me toca
e como me toca bem
quero sentir elas dizendo
o quanto me quer também

Quero ouvir suas mãos afinadas
conversando com o violão
namorá-las atentamente
enquanto tecem uma nova canção

E quero ouvir suas mãos cantando
e espalhando por aí a toada
dos contos do seu coração
das cores da sua estrada

Quero ouvir suas mãos me contando
os seus sonhos,
os seus freios,
sua alma de ponta a ponta
quero ouví-las segredando
o que nem mesmo você
se dá conta

Das suas mãos eu quero ouvir tudo
nada precisam calar
nem um pensar mais escuro
ou um intento de desamar

Pouco importa o que elas digam
ou em que tempo
contanto que suas mãos me façam
ouvir você por dentro

Quando quiser me dizer eu te amo
e suas mãos estiverem cansadas
não tenha dúvidas nem pudores

Quando suas mãos não puderem falar
diga a elas que me mande flores

domingo, 14 de setembro de 2008

Poema da chuva



















photo by Kim Zumwalt


As linhas dos seus dedos
são partitura
tocam na minha pele
o mesmo som de tessitura
da chuva que cai lá fora
e que me molha também

Não durmo tão bem
agora
que confessamos que sono bom
é movido a passarinhos
e ao barulho da chuva que cai

Meu corpo não abandono mais
na cama
sem você e tudo mais que você ama

A chuva lá fora me lembra
tanto pra te contar
das noites sem dormir que tive
que por não dormir não sonhava
que podia te encontrar
para então dormir em paz
finalmente
e novamente sonhar
contigo
e ao seu lado
comigo

E você
que nem dormido direito tem
por motivo outro
me fala rouco
um dorme bem

Não há boa noite tão perfeito
quanto esse sorriso bonito
que dorme no rosto contigo
e aquece o meu peito

Por isso essa alegria
de te entregar num poema
o que a coragem pequena
me calou um outro dia
quando a parede cor de aurora
marcou sua pele e em mim
aquela pergunta doce
que só te respondo agora:
sou sim

Sou mulher nessa alma de menina
sou menina nesse corpo se quiser
e sou totalmente sua
e só sua
mulher

Encerro a minha escritura
que lá fora já nasce o dia:
sempre que dormir sem você
quero te acordar
com poesia



p.s.: Boletim extraordinário, meterológico e literário:

a chuva ainda cai lá fora
persistente
e molha a vida
insistente
e rega a flor desse amor por você

que me brota e me faz renascer

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Precisão
















photo by Chip Forelli
Foi preciso um eclipse
para a lua cheia
iluminar meu caminho

a longa estrada de ventania

Foi preciso uma noite
para que um dia sem você
não tivesse música

nem alegria

Foi preciso inspiração
para a primeira vez
saber que já era hora

Foi preciso sabedoria
para te ver e te querer
e deixá-lo ir embora

Pra ser feliz é preciso pouco,
mas é preciso:
de uns olhos verde mel,
dos seus cabelos sem gel
e seu sorriso

E para que no final
esses versos vertam em vida nova
o que hoje é só poesia
preciso de um violão
um canto no seu coração
e você, quando der, todo dia.

Blog Action Day 2009

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