terça-feira, 28 de julho de 2009

Tardes cariocas









fim de tarde em Ipanema, photo by Fabiana Motroni

Pois quis a vida
que minha vida
desse uma pausa

umas férias
por justa causa

nesse momento
meu escrever
minha verdade
se submete
à esta cidade

à contemplação
da beleza
da tristeza
da realidade

e me recolho
à função outra
de um poeta
a de catar lirismos
que o mar espalha na areia
e que a brisa traz
pela janela aberta

de aguardar
o que um pôr de sol
em ipanema
pode me fecundar
em poema

o brilho da água
o fogo da areia
a ventania

a alma que
ferve
na noite
e flana
no dia

dessa musa
maldita
naiade
cosmopolita
linha e curva
absurda
mente
bonita
silenciosa
sinfonia

cidade
que já nasceu
poesia


terça-feira, 23 de junho de 2009

A poltrona ao lado


















photo by Fabiana Motroni, show do Lô Borges, novembro de 2008

Em nossa vida, em muitos momentos dela, o outro é um ser inventado. Quando ele não é o que pensamos, quando não faz o que esperamos, ele simplesmente não é. Não está lá.

Invisível como a repetição de nossas expectativas, o outro é apenas uma falta. Uma falta de nós mesmos. Mas então aceitamos a solidão como dimensão real do que somos, e nos enxergamos, e a solidão se esvai, por não haver mais razão de existir. E a falta não faz mais falta.

E então a falta é a fala, é a palavra, é o fato, é a flor, e estamos livres para enxergar que existe alguém na poltrona ao lado. O outro. Um outro que nos enxerga. Um outro que nos olha na nossa poltrona e que não quer ver o veludo vermelho, por mais veludo e por mais vermelho que seja, porque está muito mais interessado em ver a gente.

O outro que entende a amplitude de companhia. Que entende a diversidade do amor. E que sabe que a poltrona estará sempre vazia enquanto não quisermos que alguém sente ali, de verdade. Alguém de verdade. Um outro da gente.

Não é o amor a falha. A falha somos nós e o que inventamos sobre o amor. E ele nos olha docemente, e sorri tristemente de nossas dores, sem muito poder fazer, o amor. A não ser esperar que não esperemos nada mais dele. A não ser esperar que esperemos por ele. A não ser esperar que o reconheçamos quando ele chegue, e que o aceitemos como ele é.


sexta-feira, 5 de junho de 2009

O prazer de interagir

















photo by @bdramali

Você realmente acha que hoje sua comunicação depende totalmente da internet? 

Não, sua comunicação depende totalmente da sua vontade de interagir. 

Twitter no papel, que passou de mão em mão pela platéia do #smbr, evento Social Media Brasil, agora à tarde em SP, em função do mal funcionamento do wi-fi no local. 

(O que isso tem a ver com poesia? Poesia é inspiração, criação, expressão.

Participar de mini-momentos colaborativos também : )  


segunda-feira, 25 de maio de 2009

Auto-cura














Disease.
Dis-ease.
Diz easy
e vai...


segunda-feira, 4 de maio de 2009

Poesia hasta infectar
















photo by my webcam


La vida
es más fuerte
que las dolores

Mientras las hojas
acojan sus flores



Porcos que voam. Gripe suína.  Surto e preconceito.  Ao invés de fazer eco ao medo, podemos espalhar carinho.  Alimentar o pânico é que é uma porcaria.  E o antídoto, a poesia.

Estenda também a sua mão com uma mensagem, aqui: Pandemia de la Ternura


terça-feira, 14 de abril de 2009

Let it go












photo by glow images


Tempos difíceis.
Eu enfrento
a minha última fronteira.

O algodão,
a acetona,
e as dez unhas vermelhas.


quinta-feira, 2 de abril de 2009

Deja vu












(detalhe) photo by Claudio Ramos


Minha saudade é assim
te sinto todo de novo
em cada pedaço de mim


domingo, 15 de março de 2009

Feliz poesia, todo dia


















Todo dia é dia de poesia.  Mas é bom ter um dia  marcado no calendário, para garantir que nos lembremos, ao
menos um dia, de algo que deveria ser parte do nosso dia-a-dia.

O dia 14 de março foi escolhido para ser o Dia Nacional da Poesia, em homenagem ao aniversário do poeta Castro Alves.  E no próximo fim de semana, dia 21 de março, é o Dia Internacional da Poesia, instituído pelo Unesco no ano 2000.

Mas descobri que essas datas não são comemoradas oficialmente na cidade de São Paulo (não me perguntem o porquê, ainda estou tentando descobrir...) 

Então resolvi convocar alguns amigos poetas, procurar um chão e um teto acolhedor, e realizar um sarau de última hora - porém a tempo de comemorar a data em prosa e verso.

Será hoje, domingo 15 de março, as 18h. Vejam no post abaixo.

Quem puder comparecer, será ótimo.  Quem não puder, só quero uma compensação:  aproveitem o próximo fim de semana e façam algo bem poético.  

Isso.  Pode ser isso.  E pode ser isso também.  Façam seja lá o que vocês acreditem que seja poesia.  Assistam o pôr do sol.  Rolem no chão com as crianças.  Ou com os cachorros.  Ouçam rock and roll no volume máximo. Andando de carro. 

E quando terminarem, se acostumem com a poesia por perto. E depois não deixem que ela - nunca mais - vá embora das suas vidas.  Combinado?  Vou cobrar... : )

Feliz poesia, todo dia.

Um beijo,
Fabi



domingo, 8 de março de 2009

23 pares de cromossomos, mas um deles tinha que ser diferente...







photo by John Lund

Não, isso não é o preâmbulo para outro rosário a ser desfiado diante das humanas hoje, nesse dia decretado para nos lembrar que seria preciso um dia para sermos lembradas...

Nada disso poderia ser mais equivocado. Afinal, um dos pares de cromossomos teve que se diferenciar diante da vontade de grandeza do homo sapiens que, muito complexo, não podia mais ficar brincando de meiose e mitose para garantir a sobrevivência da espécie. Além disso, nós existimos de fato e na lembrança, todos os dias: impossível não notar a presença da mulher ou do feminino no mundo.

Desculpem meninas, e meninos, mas todo dia eu procuro fazer poesia: hoje eu só quero fazer justiça.  Muita coisa aconteceu na história da humanidade que me faz entender porque a mulher – mesmo sendo em maior número que o homem (outra necessidade biológica) - virou politicamente uma minoria com direito a ganhar uma bolota no calendário. Bolota que, aliás, me lembra tiro ao alvo.  E aí me lembro porque – poesias e rosas a parte – eu não me sinto muito a vontade com o Dia Internacional da Mulher. 

Nessa data,  no dia 8 de março de 1857, em Nova York, trabalhadores de uma fábrica, mais exatamente 129 mulheres trabalhadoras, fizeram uma greve para exigir a redução da carga horária de seu trabalho, que era então de 12 horas por dia.  Era o tempo de um capitalismo recém-nascido, infantil - e de empregadores idem, que não satisfeitos em tirar da aristocracia seu poder, levaram junto sua vilania abençoada por Deus.  E nesse tempo, o ato de empregados exigindo direitos era algo inaceitável, que devia ser severamente punido com, por exemplo, a polícia perseguindo as 129 mulheres, que recuaram para dentro da fábrica, e seus empregadores botando fogo na fábrica com todas elas dentro.

Hoje, no mundo inteiro, é oficialmente comemorado (?) o Dia da Mulher, nos lembrando dessa data triste e de outra tristeza: nos relembra a morte criminosa de mulheres lutando por direitos justos para qualquer sexo, e, principalmente, no avisa da intolerância insistente do ser humano, de todos os sexos.  Na intenção de honrar a memória destas heroínas, pessoas corajosas que lutavam contra a injustiça, essa data acaba por ressaltar nossa capacidade de criar datas comemorativas para compensar a pequenice histórica de nossas almas, que, pior, é tão discutida e aceita seriamente como "natural".  Natural é que todos possam ser igualmente felizes, e igualmente respeitados pela sua condição básica.  De seres humanos?  Não, de seres vivos.  É a vida que nos faz dignos de respeito e amor.

Nesse mundo que persigo, não faz sentido que se comemore o dia de um tipo de alguém, pois seria tão nonsense como comemorar o dia de todos.  Nesse mundo que eu quero viver, se as pessoas abrem a porta para mim, ou seguram minha mão para eu sair do carro, é porque é bom ser gentil com o outro, e não simplesmente porque eu tenho um par de cromossomos diferentes.  O mundo no qual eu acredito é um mundo onde homens também recebem flores, pois eles também merecem ser amados, e seus feitos lembrados, e seus sacrifícios engrandecidos.  O mundo que quero ajudar a construir é uma sociedade onde mulheres também sabem ser perfeitas cavalheiras. Um mundo onde não existam pedestais é um lugar onde as pessoas podem andar sobre o mesmo chão, compartilhar a mesma vida e valores, e melhor: onde não vão cair de lugar nenhum. 

Afinal, nesse mundo nossas almas seriam tão maiores que calendários e intolerâncias, do que podes e não podes, que não haveria lugar para tanta gente num único pedestal: o planeta inteiro já estaria literalmente mais elevado. E no dia que o mundo for assim nós seremos tão mais livres - mulheres, homens e seres do sexo que bem quiserem – que esqueceremos de criar uma data comemorativa para fato tão feliz.  

Quando esse dia chegar, nossa folhinha estará muito ocupada com as lembranças dos dias que já vivemos, e nós, completamente entretidos com cada sonho que queremos realizar em cada um dos dias que ainda nos resta em nossos calendários...

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

..........................................................................



Te enxergo no que escreve
de José Ricardo Oliveira



mãos percorrendo espaços 
palavras preenchendo vazios 
sentimentos procurando espelho 
caneta e papel guiados pela sua insônia 
noite de amor sobre a escrivaninha 
desejos dentro de fronhas 
sonhos do lado de fora da janela 
gotas de chuva querendo entrar 
alma é vidro 
corpo é pedra 
coração é tijolo 
poesia é argamassa 

te enxergo no que escreve


domingo, 26 de outubro de 2008

Quero ouvir suas mãos me dizendo eu te amo





















photo by Herborg Pedersen

Quero ouvir suas mãos me dizendo eu te amo
não se espante comigo
eu sou assim

Quero ouvir suas mãos me dizendo eu te amo
quando eu sorrio e você olha pra mim

Quero ouví-las quando me toca
e como me toca bem
quero sentir elas dizendo
o quanto me quer também

Quero ouvir suas mãos afinadas
conversando com o violão
namorá-las atentamente
enquanto tecem uma nova canção

E quero ouvir suas mãos cantando
e espalhando por aí a toada
dos contos do seu coração
das cores da sua estrada

Quero ouvir suas mãos me contando
os seus sonhos,
os seus freios,
sua alma de ponta a ponta
quero ouví-las segredando
o que nem mesmo você
se dá conta

Das suas mãos eu quero ouvir tudo
nada precisam calar
nem um pensar mais escuro
ou um intento de desamar

Pouco importa o que elas digam
ou em que tempo
contanto que suas mãos me façam
ouvir você por dentro

Quando quiser me dizer eu te amo
e suas mãos estiverem cansadas
não tenha dúvidas nem pudores

Quando suas mãos não puderem falar
diga a elas que me mande flores

domingo, 14 de setembro de 2008

Poema da chuva



















photo by Kim Zumwalt


As linhas dos seus dedos
são partitura
tocam na minha pele
o mesmo som de tessitura
da chuva que cai lá fora
e que me molha também

Não durmo tão bem
agora
que confessamos que sono bom
é movido a passarinhos
e ao barulho da chuva que cai

Meu corpo não abandono mais
na cama
sem você e tudo mais que você ama

A chuva lá fora me lembra
tanto pra te contar
das noites sem dormir que tive
que por não dormir não sonhava
que podia te encontrar
para então dormir em paz
finalmente
e novamente sonhar
contigo
e ao seu lado
comigo

E você
que nem dormido direito tem
por motivo outro
me fala rouco
um dorme bem

Não há boa noite tão perfeito
quanto esse sorriso bonito
que dorme no rosto contigo
e aquece o meu peito

Por isso essa alegria
de te entregar num poema
o que a coragem pequena
me calou um outro dia
quando a parede cor de aurora
marcou sua pele e em mim
aquela pergunta doce
que só te respondo agora:
sou sim

Sou mulher nessa alma de menina
sou menina nesse corpo se quiser
e sou totalmente sua
e só sua
mulher

Encerro a minha escritura
que lá fora já nasce o dia:
sempre que dormir sem você
quero te acordar
com poesia



p.s.: Boletim extraordinário, meterológico e literário:

a chuva ainda cai lá fora
persistente
e molha a vida
insistente
e rega a flor desse amor por você

que me brota e me faz renascer

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Precisão
















photo by Chip Forelli
Foi preciso um eclipse
para a lua cheia
iluminar meu caminho

a longa estrada de ventania

Foi preciso uma noite
para que um dia sem você
não tivesse música

nem alegria

Foi preciso inspiração
para a primeira vez
saber que já era hora

Foi preciso sabedoria
para te ver e te querer
e deixá-lo ir embora

Pra ser feliz é preciso pouco,
mas é preciso:
de uns olhos verde mel,
dos seus cabelos sem gel
e seu sorriso

E para que no final
esses versos vertam em vida nova
o que hoje é só poesia
preciso de um violão
um canto no seu coração
e você, quando der, todo dia.

sábado, 9 de agosto de 2008

Nascente

photo by Marcelo Larrosa

pensei que o dia havia raiado
lá fora, pois dentro da gente
o sol já nasceu, já se pôs,
e já nasceu novamente

os passarinhos cantam na paulista
(existem passarinhos na paulista)

eles me cobrem como em conto de fadas,
segurando as pontas do lençol
edredon também porque faz frio:
na paulista, eles usam cachecol

durmo finalmente
ninada por uma nascente
com cheiro de poesia:

só me acorde se for noite
e tiver musica do lô
e a sua companhia

(ao querido marcelino)



terça-feira, 29 de julho de 2008

Perousia




















by Hubble, galáxias Antennae


A segunda vinda
foi como se anunciava:
falsas promessas, nenhuma santidade,
pouca sabedoria, muita palavra

A segunda vinda
foi como eu temia:
reencontrei um conhecido
que não se reconhecia

Sem juízo, sem final
ficou tudo como antes
inconcluído
indefinido
inesgotado
igual

Uma obra
inacabada

Interrompida

por tempo em demasia
por falta de visão
por falta de coragem
por excesso de razão

Por falta do que não foi feito
vou seguindo a vida
esperando outra vinda
uma perousia a mais

Só não espero mais
presença
mesmo incerta
nem que você
saiba a diferença
entre amor e inércia

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Boreas


by John William Waterhouse

sinto esse vento
frio e forte
que vem de algum lugar em você

minha alma se refria
espirra e enche os olhos de água
meu coração quase pára
e pensa se quer bater

um vento azul
mercuriano
que entra ano, sai ano
me abre a janela do corpo
me invade e revolve assim

corre o chão com doze cavalos
o sente sem sequer tocá-lo
e quando brisa chega ao fim

meu amor tem uma só asa
a outra é minha e com ele guarda
num lugar ao norte de mim

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Epigrama



saudade e sono de você.
na minha cama.
me abandono.
eu sei o quê mas não sei como.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Fato


foto by minha webcam


façamos um trato:
você se expressa
eu me retrato

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Berceuse



Me canso:
o dia inteiro
é descanso do que eu penso
chego em casa
nem sinto nem sento
apenas vento
em direção ao meu quarto:
sou só um corpo e um retrato
meu travesseiro é de areia e sono
braços bóiam, me abandono
e o lençol se espalha
lentamente
vai molhando minhas costas
alcança os meus cabelos
e minha mente nada
depois se afaga
até que já não respiro:
me retiro e o ar me invade

é tarde, é muito tarde
a cidade só quer dormir
mas eu e o futuro
eu flutuo
eu espero o silêncio invadir

e quando meu corpo anoitece
a alma espreguiça: é dia
eu durmo profundamente

E desperta a poesia.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

No meu colo


Saudade e um poema.


Não tenho muito além
do meu colo pra você
não tenho minhas mãos
e os dedos no piano
não tenho mais ouvido
meus os beatles
e meus ouvidos
não tenho mais
não enxergo o azul do mar
não tenho o mesmo olhar
castanho
não sou mais que algo estranho pra mim
não sou mais nem menos
o que eu era antes
mais nem menos desinteressante
sou só uma falta constante
não tenho mais meu tempo
ou meu lugar distante
nem me entendo mais por aqui
não tenho minha voz irada
nem tenho a alma alada
não tenho nada
e no fim eu não tenho (palavras)
tudo o que tenho está aqui,
no meu colo.

terça-feira, 17 de julho de 2007

To Blog or Not to Blog!!

Como vocês podem ver, faz muito tempo que eu não posto nada aqui. E quando eu já achava que fazia parte de um grupo de desastrados blogueiros que inauguram blogs e não escrevem quase nunca, eu me dei conta que eu estava na verdade vivendo uma crise criativo-existencial pela qual passam todos criadores/escritores/artistas, e, consequentemente, blogueiros. Não que eu não tenha nada pra falar: o pessoal diria o contrário, me pedindo até pra falar menos. Mas eu ainda estou me adaptando ao fato que eu posso falar por aqui também. Blogar ou não blogar, eis a questão. Blogar sempre? Blogar de vez em quando? Blogar só quando der vontade? Se não tiver nada pra blogar, melhor ficar quieto? Se não sabe ainda, assista o vídeo enquanto você pensa a respeito... É o que vou fazer por enquanto... : )

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Fermata (ma non troppo)


foto by daniboy, flickr

Todo dia é a mesma coisa: tem gente que nem me dá um oi e já pergunta se finalmente postei algo novo. E não adianta explicar que o blog ainda está em fase de teste, que pretendo mexer no layout, não adianta. Então hoje eu desisti: vox filii, vox dei...

Não sei se é o frio ou é a febre. Talvez seja porque desenterrei uma poesia que já nasceu com endereço certo e eu nunca mandei entregar. Mas com certeza é porque me dei conta que tudo está sempre em fase de teste, e nem por isso a vida deixa de acontecer.

E assim também são as palavras, transitórias. Pois o que elas carregam, isso sim permanecerá.

Descortina
O erotismo é o interdito de tudo
É o vir a ser que nos segura a voz no instante
É um desejo de veludo
Incessante

De transparência em que se toca no olhar
De silêncio que transpassa os gemidos
Do vão entre o Aleph e o resto de Borges
Do quase toque de dois corpos exauridos

É poema que não vira letra quando finda o ato
É a fermata do corpo em arco

E um vento fraco a balançar a cortina
É o espaço-tempo de amar
em que pende mulher e menina



sexta-feira, 18 de maio de 2007

Mi casa, su casa


foto by fabi e geo

Melhor do que finalmente ter coragem de publicar meu blog, é saber que os amigos gostaram dele a ponto de me mandar um texto para ser publicado aqui... : ) Pois uma das coisas que mais caracteriza a blogsfera é o fato de um blog ser, antes de tudo, um diário pessoal. E para a maioria dos bloggers isso significa publicar prioritariamente suas próprias expressões e impressões sobre o mundo e sobre a vida.

Mas não aqui nesse blog. Meus amigos me conhecem o suficiente para saber o quanto eles fazem parte da minha vida: muito. Muito do que sou, muito do que penso, muito do que será publicado aqui, é fruto dos meus encontros com essas grandes pessoas que tive o privilégio de conhecer um dia.

Por isso, faz todo sentido do mundo eles aparecerem por aqui para recitar um poema e contar uma história, enquanto tomam aquele café coado que eu adoro fazer. Assim como minha casa e minha vida, meu blog tem que estar sempre cheio de gente...

E, leitor desavisado, não se preocupe: esses amigos, cada um à sua maneira, são grandes artistas. Sua viagem até aqui vai sempre valer a pena... : )

Roma e o tempo
por Maysa Monção Gabrielli

um passarinho pousa no largo Corrado Ricci
corta
o homem ri, a barriga oblonga
uma foto não prende o tempo


(a Alessandro, garçom do largo Corrado Ricci)






quinta-feira, 17 de maio de 2007

Check-list



O amor, depois de um tempo, começa a querer inventar.
Uma vez foi reclamar em forma de lista: saiu catalogando minhas manias.
Pra mim, elas me faziam única... para ele, elas me faziam chata... :)

O jeito é responder ao amor como ele merece: poesia.
.........................

A lista como você quer...extensa:
eu sinto calor
minha pressão cai
tenho dor de cabeça
meu estômago arde
ando meio enjoada
gosto de me arrumar
e organizar o quarto
demoro pra ficar pronta
preciso de um café a tarde
prefiro comer sentada

A lista como ela é........intensa:
Eu sinto calor... quando me beija
fico meio mole... quando me toca
tenho dor de cabeça... de tanta conversa nossa
meu estômago arde... se te vejo triste
ando meio enjoada... do que faço sem você
gosto de me arrumar... apenas para te ver
e organizar o quarto... para poder bagunçar sua cama
demoro pra ficar pronta... mas pra você me desarrumo já
preciso de café a tarde... para uma noite desperta contigo
prefiro comer sentada... (já você, como bem me quiser...)
....................

Listas não ensinam, só repetem
Listas são chatas e previsíveis como roupa de marinheiro
Lista de compra só é legal quando a gente pode comprar tudo que está fora dela
As listas da zebra só são bonitas porque são tortas

Uma lista não é inata
Uma lista de defeitos, ingrata:
assim catalogados os defeitos passam a fazer sentido
e fazendo sentido passam existir os defeitos
que outra forma não teriam existido

Se alistar é justificar a guerra
se alistar é morrer por catalogação

Na falta de melhor conclusão
desconfio que nenhuma lista pode ser boa coisa

...................................

Ele e a lista... Elitista...Estilista...Antilista...Antilhas...Antilhas...Antilhas... aquele mar e aquelas ilhas...que água azul é essa meu deus...eu quero poder nadar nua...essa água azul...essa lua...pra que mesmo você queria uma lista?

Post novo no blog do meu imaginário


Maiden, Gustaf Klimt



Post novo no blog do meu imaginário
onde minha auto-crítica
cão cérbero de minha alma
é temerária do que posso ser
do desejo que me acalma
do afeto que me ultrapassa
e que é começo e fim
de todo poder que a palavra
procura e encontra em mim

quarta-feira, 21 de março de 2007

Poesia gera poesia









Para quem comete escrituras como eu e se dispõe a compartilhá-las com o mundo, umas das coisas mais gostosas da internet é a interação viva, é poder escrever e receber escritos de volta. 
 
Para mim, o espaço do comentário é muito mais do que um lugar para receber um elogio: é uma folha em branco onde um novo poema pode ser escrito, por alguém que às vezes nem sabia que sabia poemar, ou que não tinha tido a chance, ou a inspiração, de deixar de ser apenas um leitor e se tornar um escritor, apenas naquele momento, quem sabe pra sempre, mas transformando um simples comentário numa pequena e pessoal criação literária. 

Toda vez esse blog publicar um texto com o símbolo "poesia gera poesia" é porque um poema tentou se disfarçar de comentário, e eu descobri : )

....................................................................

O símbolo "poesia gera poesia" foi idealizado por Paulo de Loyola e Fabiana Motroni. É uma adaptação do símbolo original  "gentileza gera gentileza", que foi criado por designers cariocas a partir das pinturas e inscrições criadas por José Datrino, conhecido como "Profeta Gentileza"   "Poesia gera poesia" é uma homenagem ao Gentileza, e à poesia e visão de mundo que ele teve coragem de pintar pelas ruas do centro do Rio de Janeiro.

terça-feira, 13 de março de 2007

Todo dia é dia de poesia...


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      Vem passar o domingo na praça

      vai ter arte e amigos

      (e a entrada é de graça)


      Deixe de lado a preguiça

      e a prosa do dia a dia

      traz sua verve e a vontade

                                            de ouvir

                                                    e dizer 

                                                           poesia


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14 de março: Dia Nacional da Poesia (Brasil)
21 de março: Dia Internacional da Poesia (Unesco)

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   Sarau do Dia da Poesia 2009 

        Data.........DOMINGO, DIA 15 DE MARÇO

        Horário....a partir das 18h

        Local........Espaço Cultural Alberico Rodrigues

        Praça  Benedito Calixto, 159 - Pinheiros

        Entrada Franca

       www.albericorodrigues.com.br


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No próximo domingo, dia 15 de março, às 18 horas, o Espaço Cultural Alberico Rodrigues abre mais uma vez suas portas e seu coração para apoiar os artistas da cidade na missão liricamente árdua de plantar e colher poesia: vamos nos encontrar para celebrar o Dia da Poesia, comemorado nacionalmente todo dia 14 de março.

Entre um verso e outro, o sarau vai lembrar o aniversário de nascimento do poeta Castro Alves - que inspirou a criação do Dia Nacional da Poesia - e prestar homenagem póstuma ao fotógrafo, jornalista e poeta Eduardo Barrox, também aniversariante, editor do Jornal da Praça Benedito Calixto e do Tablóide Café Literário.

Estarão presentes artistas, poetas, escritores, representantes de vários movimentos culturais da cidade de São Paulo, entre eles Alex Menezes, Ana Rüsche, Celso de Alencar, Cristina Camaleoa, Cesar Silveira, Débora Aligieri, Fabiana Motroni, Flávio Alberoni, Flávio Amoreira, Ivan Antunes, Jarder Cruz, Joel de Oliveira, José Roberto Xavier de Paiva, Ligia Piola, Lilian Alves, Marcelo Ribeiro, Maria Célia Ladeira, Rebecca Navarro, Rodolfo Coelho, Sandra Falcone, Ulisses de Freitas, Valdete Pereira e os poetas maloqueiristas Pedro Tostes, Caco Pontes e Berimba de Jesus, entre outros.

Direto da ponte-aérea, o ator e poeta Bayard Tonnelli também participa do encontro, trazendo um pouco da poesia carioca com seu recente livro Dzi'in'Verso.

E para podermos levar um pouco mais de poesia pra casa, o Espaço Cultural Alberico Rodrigues realizará uma venda especial de livros de vários poetas contemporâneos, com preços promocionais de R$ 4,99 e R$ 9,99.

 

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"Eu canto porque o instante existe

 e a minha vida está completa. 

Não sou alegre nem sou triste: sou poeta."

                                                   Cecília Meirelles


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domingo, 13 de agosto de 2006

All Star

Tá, não é minha, mas é (muita, muita) poesia.

Ouvi hoje e pensei: adoro, vou ter que postar no meu blog, paciência...

Encontros, reconhecimentos e conversas que nunca acabam e ficam pra hoje: é a minha vida. Da série "bem que eu podia ter escrito isso...", com vocês, Nando Reis:


Estranho seria se eu não me apaixonasse por você
o sal viria doce para os novos lábios
Colombo procurou as índias mas a terra avistou em você
o som que eu ouço são as gírias do seu vocabulário

Estranho é gostar tanto do seu all star azul
estranho é pensar que o bairro das laranjeiras
satisfeito sorri quando chego ali e entro no elevador
aperto o 12 que é o seu andar não vejo a hora de te encontrar
e continuar aquela conversa
que não terminamos ontem ficou pra hoje

Estranho mas já me sinto como um velho amigo seu
seu all star azul combina com o meu preto de cano alto
se o homem já pisou na lua, como eu ainda não tenho seu endereço
o tom que eu canto as minhas músicas para a tua voz parece exato

Estranho é gostar tanto do seu all star azul
estranho é pensar que o bairro das laranjeiras
satisfeito sorri quando chego ali e entro no elevador
aperto o 12 que é o seu andar não vejo a hora de te encontrar
e continuar aquela conversa
que não terminamos ontem ficou pra laranjeiras
satisfeito sorri quando chego ali e entro no elevador
aperto o 12 que é o seu andar não vejo a hora de te encontrar
e continuar aquela conversa
que não terminamos ontem, ficou pra hoje...

Blog Action Day 2009

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